Muitas vezes, quando falamos de incentivos fiscais e projetos sociais, o debate fica preso a números, planilhas e isenções de impostos. Mas hoje, quero convidar você a olhar por um outro prisma: o prisma de quem está na ponta, criando, propondo e transformando realidades.
Sabemos que as grandes empresas possuem departamentos dedicados a escolher onde investir seus recursos incentivados. É um direito da liderança alinhar esses projetos aos valores da marca. No entanto, precisamos lembrar que esse recurso é, em sua essência, público. E é aqui que nasce uma reflexão necessária: existe uma responsabilidade social real no ato de avaliar?
O que ouvimos frequentemente de proponentes e produtoras culturais é um silêncio angustiante. Projetos que levam meses para serem desenhados, que carregam sonhos de comunidades inteiras, muitas vezes recebem como resposta apenas um e-mail padrão, gélido, que parece não ter sido lido por um ser humano.
Precisamos falar sobre a "Fonte" e o "Filtro":
A Proximidade com a Origem: Por que criamos tantos intermediários se o valor real está em quem executa, na associação, na ONG, na produtora? A conexão direta humaniza o processo.
A Curadoria com Alma: Quem avalia esses projetos está realmente apto a entender o impacto social relatado? Ou estamos apenas olhando para o "alcance de marketing"?
O Feedback como Respeito: Responsabilidade social começa dentro de casa, na forma como tratamos quem nos busca com um projeto debaixo do braço. Um retorno digno é o mínimo que se espera de uma empresa que se diz socialmente responsável.
O meu desejo é que a ponte entre o setor público e a iniciativa privada seja menos burocrática e mais humana. Que as empresas olhem para os projetos não como uma obrigação fiscal, mas como uma oportunidade de serem, de fato, agentes de mudança.
O proponente não busca apenas um aporte; ele busca um parceiro. E uma parceria real começa pelo olhar atento, pela escuta ativa e pelo respeito ao trabalho alheio.
Por Carla Cavalcante
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